sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Autismo e os barulhos festivos de final de ano.....

Como Psicopedagoga penso nos Autistas no dia das festas de finais de ano.......
É sabido que final de ano, festas e comemorações, enfim, fogos de artíficos, rojões e barulhos sabemos que os animais de estimação como cães, idosos e algumas crianças sofrem com o barulho. Mas o que muita gente de repente não sabe é que os AUTISTAS sofrem e muito nesta época.
Muitas crianças com autismo têm ‘ouvidos’ supersensíveis a ruídos e experiência de reações intensificadas a pressões súbitas, estalos ou estouros, especialmente fogos de artifício.
Muitas crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) têm dificuldade em regular a informação sensorial que lhes bombardeia diariamente. Elas podem ser excessivamente sensíveis ou sub-sensível a sons e podem ter dificuldade em interpretar informações sensoriais que seu cérebro recebe.




Dicas e Sugestões
Sabemos que nem sempre é possível prever tudo em nosso ambiente, mas aqui estão algumas sugestões a considerar quando se trata de épocas de comemorações, rojões e fogos de artifícios…
Prepare o seu filho.
preparandoSe o seu filho tem idade suficiente, tenha o tempo para explicar o significado das festividades locais e os costumes que o acompanham. Deixe seu filho saber de antemão o que pode acontecer e discutir o que tanto você e ele podem fazer com antecedência dará a seu filho algum senso de controle e ajudar a reduzir o seu nível de ansiedade.
histórias sociais:
post03Se o seu filho é jovem, uma história social, vai funcionar muito bem para prepará-la para qualquer evento que pode ser estressante. Procure imagens na internet, monte historinhas, ou faça com recortes de jornal ou de revista.Vale a criatividade nessa hora. O princípio é contar através de histórias sociais o que ocorre nessas épocas e como ele pode reagir a isso…
Proteja o ouvido do seu filho. Sim, você sempre pode usar as mãos para tampar post05orelhas do seu filho, mas que nem sempre é prático. Esteja preparado para qualquer coisa como levar ou ter em mãos um par de tampões de ouvido com diminuição de ruído fones de ouvido ou caso você vá aventurar a sair de casa, especialmente à noite. Há alguns
post04pais que são mesmo capazes de levar a criança sensível para ver uma queima de fogos ou ver a festividade com o uso de um protetor auricular de qualidade
Incentive e trabalhe ensinar a respiração profunda
Todas as crianças precisam aprender técnicas auto-calmante para lidar com eventos da vida – no presente ou futuro. As crianças nunca são jovens demais para ser introduzida para proativas medidas que podem ser tomadas regular suas reações às coisas ou eventos que podem causar ansiedade. Ensinar uma criança a respirar profundamente ajuda suprimento de oxigênio para seu corpo e cérebro para ajudá-los a funcionar de forma mais eficiente, bem como relaxar seus músculos.
Use recursos digitais e Dê demonstrações.
Encontre um filme ou vídeo para assistir cerca de fogos de artifício, barulhos, e do evento que irá ocorrer, o Youtube hoje é uma grande ferramenta que pode ser usada como auxílio. Pois Ver em uma tela além dele poder associar os acontecimentos lhe permite que você controle o volume. Comece com o volume baixo e aumentar gradualmente a quantidade um pouco acima do nível de tolerância do seu filho. Isso é chamado de dessensibilização gradual e é uma boa maneira de ajudar seu filho a se tornar mais confortável com as coisas que são difíceis. Você também pode tentar um treino em casa começando com pequenos ruídos de estalo e adicionando estrelinha de fogos para o efeito visual em seu próprio quintal. Existem também aplicativos interativo livre, como fogos, comemorações etc. que fornece uma criança com um feedback imediato ao mostrar uma representação visual das escolhas feitas durante o desenvolvimento de fogos de uma compreensão de conceitos descritivos, como o número, tamanho e cor de uma forma divertida e descontraída.
Tenha um plano B.
Se você decidir tentar ir em eventos que terá queima de fogos, ou muito barulho esteja preparado para socorre-la em qualquer momento. Apesar do fato de que você gastou tempo preparando seu filho e ter um par de fones de ouvido disponíveis, as coisas podem não funcionar como planejado. Tenha isso em mente quando estacionar o carro, então você pode ter como ir embora de forma fácil com seu filho.
Procure alternativas. Para aqueles acham que não vale a pena o esforço de sair de casa ou ir em lugares que poderão ter queima de fogos, mas seu filho mostra algum interesse em participar de eventos da copa e festividades, procure uma alternativa amigável, sensorialmente falando. Que tal reunir familiares em casa, ou no quintal. Ou sempre a convide amigos em lugares mais calmo com pouca gente. E sem a queima de fogos. Opções assim podem ser equilíbrio.

Rojões, foguetes e barulhos e os autistas ?

Relato de uma mãe de uma pessoa Autista sobre os barulhos festivos de final de ano:
“O barulho dos fogos deixa meu filho autista agitado e com muito medo”, diz mãe
Mãe relata problemas causados pelos fogos de artifício; projeto pretende proibir a venda na cidade
“Já tentamos de tudo. Compramos fone de ouvido. Colocamos músicas para disfarçar o barulho. Infelizmente, todas as tentativas frustradas. O barulho dos fogos deixa meu filho autista extremamente agitado e com muito medo. É perturbador vê-lo naquele estado e não ter condições de fazer nada, apenas chorar escondido”.
O relato é da diarista Zuleica Marques, de 36 anos, mãe do Samuel, de 11 anos. Ambos moram no Jardim Vitória, em Suzano. Samuel é autista. Ele faz tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) infatojuvenil “Entrelaços”, localizado no município. Na unidade é acompanhado por uma equipe multidisciplinar. O diagnóstico comprovado de autismo veio há dois anos, mas a suspeita da doença o acompanhava desde os dois anos de idade.
“O Samuel é uma criança tranquila, sociável e muito carinhosa, porém, quando ouve o barulho dos fogos ele se transforma”, contou Zuleica. “E este comportamento não ocorre com outros barulhos, como um escapamento de caminhão ou um som alto. É o estampido dos fogos de artifício que o faz ficar com medo. Chega a sair gritando e querendo se esconder”, descreveu a mãe do Samuel.
Zuleica e o marido dela, José, já tentaram amenizar as crises, mas nada deu certo. A única maneira de diminuir os efeitos do transtorno causado pelo barulho dos fogos é ir para um quarto, reunir a família e trancar portas e janelas. “O pai, a mãe, os irmãos, e o lar dele são os únicos refúgios que o Samuel encontra nestes momentos de crise. Escondemos o choro e ficamos ao lado dele, o apoiando e o encorajando a superar. É uma situação muito difícil para nós e para ele, porque a sensibilidade dele, por ser autista, é muito maior que a nossa”, descreveu.
Para Zuleica, Samuel e todo restante da família, as festas tradicionais como o Natal e o Ano Novo têm uma comemoração diferente da maioria das pessoas. “No Natal, fazemos a troca de presentes muito antes da meia-noite. A solução que encontramos é dormir cedo, antes dos fogos. O mesmo ocorre no Ano Novo. Tivemos que nos adaptar. Foi o jeito”, relatou.
“Enquanto existir o barulho dos fogos, não conseguiremos comemorar a Virada do Ano. Ou o Samuel evolui e diminui o grau do autismo ou as pessoas se conscientizam do mal que o barulho dos fogos causa aos autistas”, disse Zuleica.
Samuel é uma das muitas crianças autistas que poderão ser beneficiadas com o projeto do vereador suzanense Lisandro Frederico, que proíbe fogos de artifício com barulho na cidade. Um audiência pública para discutir a proposta será realizada no dia 19 de setembro, às 19 horas, na Câmara Municipal.
Assim como Zuleica, a Comissão do Bem Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Suzano, a Associação da Melhor Idade, e o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS infatojuvenil “Entrelaços” já manifestarem apoio à iniciativa.
“É pensando no Samuel, na família dele e nas muitas outras crianças que sofrem com autismo, que apresentamos este projeto”, afirmou Lisandro.

Fonofobia (Medo de barulho): Causas, sintomas, tratamentos




O medo de barulhos altos é conhecido por vários nomes diferentes: Ligirofobia, acusticofobia, sonofobia ou fonofobia. Todos esses diferentes termos têm suas raízes na palavra grega para “barulho, som ou ruído”.
Não importa quão preparado esteja: a súbita explosão de um alarme pode causar susto e pânico. Ligirofobia é uma fobia bastante comum, que afeta muitas pessoas, jovens e idosos, em todo o mundo.
Nós seres humanos costumamos configurar alarmes despertadores para acordar, além de instalar alarmes de segurança e dormir profundamente no conhecimento de que vamos ser notificados de intrusos ou assaltantes graças a esses alarmes (no caso dos americanos). No entanto, quando o alarme toca, tendemos a ficar em pânico e desorientados. Em indivíduos normais, esta reação geralmente só dura apenas alguns segundos e a maioria de nós acorda de forma suficientemente rápida para discar o número de emergência. Em caso de fonofobia, porém, o indivíduo simplesmente não pode tomar qualquer ação, devido ao ruído alta bombando em torno dele. O termo clínico para o medo de barulhos altos é Ligirofobia- onde Ligyro significa “agudo” em grego.
Causas de Ligirofobia
Até certo ponto o medo de barulhos altos é embutido em seres humanos. Desde o alvorecer da humanidade, qualquer som novo, agudo ou alto iria conduzir os ser humano à um estado de fuga, a fim de manter-se seguro.

Ericka Vanessa x Psicopedagoga

pudesse aprender. Então resolvi fazer minha monografia sobre o tema, lembro me que acharam uma loucura pois como iria conseguir material para tão trabalho. Estudei, pesquisei noites a fio incansavelmente, brincava que estava me transformando em uma smurfete cor azul do autismo) com todo amor, respeito e carinho. Aprendi muito com Dr. Clay Brites e sua esposa Luciana Brites através dos inúmeros cursos e palestras que assisti, descobri um mundo que jamais poderia imaginar que existisse. E assim me apaixonei.
Da monografia que apresentei minha bancada não sabia nada a respeito e creio que aprenderam um mundo novo e até o momento desconhecido. Aí não arei mais. Realizei na Câmara Municipal de Cachoeira Paulista a I Audiência Pública sobre Síndromes e Transtornos de Aprendizagem : Desafios do Novo Século e consegui trazer Palestrantes de peso como Neuropediatra Drª Gisele Leal Xavier Pinto (Clínica Neurodoctor) - Lorena - SP
Psicóloga e Psicopedagoga :Aline Tayná
Vereador de Lorena : Fábio Matos e Assessoria Parlamentar Grazi Staut
Graziele - Instituto Cacau - Lorena
Meu carinho especial também ao Vídeo da Defensoria Pública Doutora Renata Flores Tibyriça.
Agradeço apoio recebido das minhas queridas amigas Cidinha Silva e Nuriane Freitas.
Autismo é vida, é alegria, dê amor e ensine amor.




Menino autista escreve poema encantador sobre ser singular
Benjamin Giroux, de 10 anos, recebeu milhares de mensagens de apoio nas redes sociais
Em abril, celebra-se o Mês Nacional da Poesia nos Estados Unidos. Para marcar a data, a professora de Benjamin Giroux, da Cumberland Head Elementary School em Plattsburgh, Nova York, deu uma tarefa a sua classe da quinta série: cada aluno deveria escrever um poema sobre si mesmo, começando os versos com a sentença “I am” – ‘eu sou’, em inglês.
Benjamin Giroux, de 10 anos de idade, tem síndrome de Asperger – uma forma de autismo. Costuma conversar pouco, mas ficou bastante ansioso para começar a escrever o seu poema e, quando terminou, imediatamente mostrou as pais, que se surpreenderam com o resultado.
O poema começa dizendo “I am odd, I am new” – ‘eu sou singular, eu sou novo’. Em outros versos, ele diz ‘Eu tento me encaixar/ Espero que um dia eu consiga’ e ‘Eu choro quando as pessoas riem, isso me faz encolher’.
No dia seguinte, os alunos leriam os poemas para a classe. Diante do nervosismo, Benjamin não conseguiu ir à aula. Ele achou que seu poema não estava bom, então seu pai decidiu postar uma foto do que o menino escreveu em sua página no Facebook, para, quem sabe, receber curtidas e mensagens de apoio dos amigos e familiares.
A surpresa foi que a Associação Nacional de Autismo viu a foto e compartilhou em sua página, recebendo milhares de respostas de estranhos dizendo o quanto o poema foi capaz de as inspirar.

Em tradução livre:
Eu sou singular, eu sou novo
Eu gostaria de saber se você é também
Eu ouço vozes no ar
Eu vejo que você não, e isso não parece justo
Eu gostaria de não me sentir triste
Eu sou singular, eu sou novo
Eu finjo que você também é
Eu me sinto como um menino no espaço sideral
Eu toco as estrelas e me sinto fora de lugar
Eu me preocupo com o que os outros podem pensar
Eu choro quando as pessoas riem, isso me faz encolher
Eu sou singular, eu sou novo
Eu entendo agora que você também é
Eu digo ‘Eu me sinto como um rejeitado’
Eu sonho com o dia em que isso será ok
Eu tento me encaixar
Eu espero conseguir um dia
Eu sou singular, eu sou novo

A ponte do amor!

Construa-me uma ponte (Poema dos autistas)
Eu sei que você e eu
Nunca fomos iguais.
E eu costumava olhar para as estrelas à noite
E queria saber de qual delas eu vim.
Porque eu pareço ser parte de um outro mundo
E eu nunca saberei do que ele é feito.
A não ser que você me construa uma ponte, construa-me uma ponte,
Construa-me uma ponte de amor.
eu espero pelo dia no qual você sorrirá para mim
apenas porque perceberá que existe uma pessoa decente e inteligente
enterrada profundamente em meus olhos caleidoscópios,
pois eu tenho visto como as pessoas me olham
embora eu nada tenho feito de errado.
construa-me uma ponte, construa-me uma ponte,
e, por favor , não demore muito.
Vivendo na beira do medo,
Vozes ecoam como trovão em meus ouvidos,
Vendo como eu me escondo todo dia.
Estou apenas esperando que o medo vá embora,
Eu quero muito ser uma parte do seu mundo.
eu quero muito ser bem sucedido,
e tudo o que preciso é ter uma ponte,
uma ponte construída de mim até você,
e eu estarei junto à você para sempre,
nada poderá nos separar,
se você me construir uma ponte, uma pequena, minúscula ponte
de minha alma, para o fundo do seu coração.
Poema: Mc Kean, autista, escritor
Retirado da monografia de Maria Lúcia Salazar Machado


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Audiência Pública : Câmara Municipal de Cachoeira Paulista Tema Síndromes e Transtornos de Aprendizagem Desafios do Século XXI




Palestrantes : 

  • Neuropediatra Drª Gisele Leal Xavier Pinto (Clínica Neurodoctor)- Lorena - SP
  • Psicóloga e Psicopedagoga : Aline Thainá de Carvalho Barbosa
  • Vereador de Lorena : Fábio Matos e Assessoria Parlamentar Graziela Staut
  • Graziele - Instituto Cacau - Lorena
Vídeo Defensoria Pública Doutora Renata Flores Tibyriça.

Defensoria Pública Drª Renta Flores Tibyriça



Defensora Pública Coordenadora dos Direitos do Idoso e da Pessoa com Deficiência
Direitos da pessoa com Autismo

Filme : Vida Animada

Indicação Drª Gisele Leal Xavier Pinto (Clínica Neurodoctor) - Lorena - SP
Filme : Vida Animada
SINOPSE E DETALHES
Owen Suskind, um menino autista que ficou sem falar por anos, é retirado aos poucos de sua solidão ao ser imerso em filmes animados da Disney. Toda a família se tornou personagens animados, se comunicando com Owen a partir de diálogos dos filmes e canções, até que ele se reconecta com a sua amorosa família, revelando que, em 
tempos mais difíceis, todos precisam de histórias para sobreviver.


Dica Drª Gisele Leal Xavier Pinto (Clínica Neurodoctor) - Lorena - SP

Você precisa saber .....
MÉDICOS AUTISTAS – MILHARES EM UM MILHÃO
Por Fatima de Kwant
Um recente artigo sobre autismo, publicado no DN Sociedade, em Portugal, chamou a atenção pelas alarmantes informações. No artigo, um renomado especialista da Associação Portuguesa para o TEA, afirma que “…são casos extremamente raros, raríssimos. Situações extraordinárias, uma em milhões”. Uma afirmação incorreta e perigosa, até. Incorreta porque sabe-se (fora de Portugal, talvez) que as pessoas autistas de alta funcionalidade, como os Aspergers, são aptos a exercerem quaisquer profissões às quais tenham dirigido seus hiperfocos – as habilidades em que focam seus talentos individuais; perigosa afirmação porque inibe a intenção de estudantes de medicina e médicos já estabelecidos, a falarem sobre seus autismos em público. São muitos, milhares em um milhão, à revelia do texto português.
Na Holanda, um país conhecido pela cultura e mentalidade flexível, existe um network de médicos, o ‘Artsen met Autisme’ ou ‘Médicos com Autismo’, em Português. Criado em 2016 pelo médico, o Movimento visa unir todos os médicos dos Países Baixos diagnosticados com autismo. Em 2014, a médica Els van Veen (1970, Amsterdam) foi diagnosticada com TEA. Ela já exercia a medicina há anos. A reação do seu circulo familiar,de amizades e do trabalho foi de incredulidade. Para contribuir com a conscientização, a Dra. Van Veen concedeu uma entrevista anônima ao Medisch Contact (Contato Médico) https://www.medischcontact.nl/…/ar…/Huisarts-met-autisme.htm. A entrevista originou centenas de feedbacks à redação, de médicos com o mesmo diagnóstico que a entrevistada.
Em novembro de 2016, foi lançado o site do Movimento. Cinco meses após, em abril de 2017, houve o Primeiro Encontro destes médicos.
A ideia obsoleta de que pessoas autistas com alta inteligência procurem profissões em Informátia e Tecnologia não é de todo correta. Cada vez mais há levantamentos no setor da saúde, comprovando a presença de autistas nas profissões de enfermeiros, médicos e cirurgiões.
A Dra. Van Veen é uma ativista holandesa que empenha-se em informar a classe médica (psiquiátrica) sobre as inconsitências que regem a perspectiva geral desta classe com respeito ao TEA.
“ Através do diagnóstico, eu obtive valiosas informações sobre eu mesma. Porém, como medica autista, descobri o efeito contrário que ainda predomina. Todos os tipos de especialistas conhecem e falam sobre o que artigos em revistas escrevem sobre a falta de empatia dos autistas. Isso não é legal quando você mesma tem este diagnóstico e trabalha como médica”, diz a profissional da saúde. Seguindo, ela conta: “Por causa deste estigma, muitos profissionais com alta graduação preferem não ser associados com o seus autismos.” Uma grande perda, sem dúvida.
Enquanto na Holanda o tabu vem sendo quebrado, em outros países médicos e outros profissionais ainda enfrentam uma grande barreira para serem respeitados como excelentes trabalhadores, apesar do diagnóstico dentro do TEA.
Uma das razões para a tal barreira é a falta de Conscientização em massa. No Brasil e em Portugal, por exemplo, o Espectro do Autismo ainda não parece ser compreendido em sua totalidade. As necessidades de um grupo com maiores limitações (autismo severo) são diferentes de outros grupos, com menores limitações na área da funcionalidade e na área cognitiva (autismo leve). Enquanto pais de autistas mais comprometidos sonham com políticas públicas que proporcionem tratamentos e assitência ao longo da vida de seus filhos, o segundo grupo sonha com sua independência e seus direitos como cidadãos que são, acima de tudo. Entre eles, encontram-se pessoas autistas ativas, empenhadas em colaborar para a quebra do estigma. Em ambos os casos, seus propósitos são legítimos e deveriam ser acatados como um direito humano em busca da merecida igualdade.
o caso do grupo que abordamos neste artigo, a classe médica, o desejo de clarificação diante da sociedade é grande, mas o medo do impacto negativo pela mesma – e pelos proprios colegas de profissao – ainda impera. O fato faz com que especialistas da Saúde Mental confundam-se a ponto de proferir frases estigmatizantes, não condizentes com a realidade.
Abaixo, alguns depoimentos de pessoas autistas adultas, profissionais de Medicina, Odontologia, Psicologia e Veterinária.
M.G.C., 49 anos, médico perito do INSS, socorrista do SAMU. Asperger.
Fui diagnosticado há dois anos, e me sinto bem melhor, agora. Sofri bullying na infancia e na epoca da faculdade quase ia desistir do curso de medicina por causa do bullying e tambem por causa da dificuldade da motricidade fina. Todos me achavam sitematico e meio diferente. Adoro futebol, mas tenho dificuldade de socializar.
Roberto Mendes, psicólogo, graduado em Psicologia Hospitalar e saúde mental. Rio de Janeiro.
Estou terminando uma terceira pós graduação, Neuropsicologia. Atuo na profissão há quatro anos, capacitando-me cada vez mais em psicopatologias, transtornos e síndromes. Realizo avaliações e ajudo em diagnósticos. Tenho hábitos estranhos, desinteresse no que a maioria das pessoas gosta… Durante minha vida ouvi pessoas dizerem: “você não sabe fazer nada!”. Foi aí que decidi a ajudar outras pessoas como eu. Fui técnico de enfermagem e neste período casei…Tenho depressão, ansiedade, hipersensibilidade sensorial e outras coisas mais, porém, mantenho o hiperfoco: ajudar pessoas que sofrem como eu.
Helen Clehr, quiroprático, Estados Unidos
Sou graduada em Medicina Quiroprática. Se a pessoa autista é verbalmente adaptada e seu interesse especial é o corpo humano, por que seria impossivel ser médica?… Minha motricidade fina não é boa, mas isso não me impede de sentir os ossos mais finos e pequenos no pescoço de um paciente, identificar por que não se movem apropriadamente, e restaurar o movimento do seu pescoço. Não saberia explicar como ou por quê, mas é assim.
John Beck, 53 anos, Asperger, Dr. At the State of Illinois Traumatic Brain Injury Program
Graduei-me aos 21 anos, fui para a Escola Médica de Combate do USArmy onde sobressaltei por meus servicos. Servi às forças da NATO, na Europa, onde fui condecorado com a medalha de Expert da Medicina de Campo – condecoração mais prestigiosa pela busca da paz. No momento, trabalho para o Estado de Illinois, no Centro de Trauma. Ainda salvo vidas como Médico Assistente Registrado há mais de treze anos.
A.C.D., estudante de Medicina, Asperger. Brasil.
Sou estudante da Faculdade de Medicina e sou autista. Pretendo ser excelente profissional, pois é minha alegria alcançar isso. As lutas de um autista são grandes, mas isso não impede de forma alguma de alcançarmos nossos sonhos: os sonhos que pretendemos.
Luciana Sant’Ana de Souza, 40 anos, odontologista e médica da Clínica Escola Mundo Autista, autismo leve. Casada com Márcio Pedrote de Carvalho, médico veterinário que, atualmente, estuda medicina. Brasil.
Fiz faculdade de Odontologia e Medicina para tentar entender o meu filho, que é autista. Meus maiores problemas durante a vida foram a socialização e dificuldade na quebra da rotina. Muita coisa na medicina e na odontologia exigem contato físico e questionamentos, o que me deixava muito desconfortável. Situações novas me desestruturavam, mas o próprio curso funcionou como terapia, uma vez que somos expostos a esses eventos diariamente. Outro fato que ajudou a mim e a meu marido foi o diagnóstico do nosso filho. Até então não sabíamos que éramos ambos autistas… Meu marido é médico veterinário e segue rigidamente as regras e rotinas, o que o torna um funcionário exemplar na função de médico veterinário. Além da experiência pessoal com o autismo, o nosso foco, a persistência em fazer as coisas conforme as regras levam a maior credibilidade em nossos projetos profissionais, como a criação da Clínica Escola Mundo Autista.

Em todas as partes do mundo existem profissionais da saúde física e mental, médicos e cirurgiões, com autismo. São pessoas altamente capazes que sobreviveram os desafios que encontraram na infância e adolescência, principalmente, quando autismo era considerado sinônimo de deficiência intelectual. Estas pessoas, homens e mulheres, cresceram sem diagnóstico, acreditando serem estranhos, sofrendo para integrar-se ao circulo onde tinham que estar. Graças a sua alta intelectualidade e capacidade cognitiva, conseguiram graduar-se em profissões de prestígio – como são os médicos e cirurgiões. Estes últimos, obviamente, sem limitações da motricidade fina.
Médicos autistas existem e são tão capazes quanto colegas sem autismo. Não é exceção que sejam mais capazes, até, devido aos talentos também atribuídos aos autistas como, entre outros:
Memória fotográfica
Hiperfoco
Detalhismo
Capacidade de reconhecer sintomas de autismo em seus pacientes
Pragmatismo
Sinceridade
Talvez seja questão de tempo até que médicos de outros países, a exemplo da Holanda, reúnam-se em Associações com a finalidade de desmistificar o conceito retrógrado de que exercer a profissão da Medicina e outras do setor da Saúde e Bem-Estar seja privilégio de pessoas neurotípicas (não autistas).
Apesar da simpatia e sociabilidade serem belas características num profissional da saúde, o paciente sempre irá esperar por um médico competente, ainda que menos sociável.
Fatima de Kwant é jornalista radicada na Holanda desde 1985, mãe de um autista adulto, Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação. Escritora de textos sobre o Espectro do Autismo e palestrante internacional, defende os direitos dos autistas pelo mundo, através do Projeto Autimates.