Momento da Psicopedagogia

Momento do Diagnóstico na Psicopedagogia

Diagnosticar um distúrbio de aprendizagem é uma tarefa difícil e para fazê-lo de modo preciso e eficiente há que se ter a participação de equipe interdisciplinar e utilização de diferentes instrumentos para avaliação.
Fernández (1991) afirma que o diagnóstico, para o terapeuta, deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. É ele, portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário.
É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da “escuta psicopedagógica...” para que “se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção” (BOSSA, 2000, p. 24).
Diagnosticar nada mais é do que a constatação de que a criança possui algum tipo de dificuldade na aprendizagem, fato que normalmente só é detectado quando ela é inserida no ensino formal. Porém, uma vez realizada essa constatação, cabe à equipe investigar a sua causa e, para tanto, deve-se lançar mãos de todos os instrumentos diagnósticos necessários para esse fim.
O diagnóstico psicopedagógico abre possibilidades de intervenção e dá início a um processo de superação das dificuldades. O foco do diagnóstico é o obstáculo no processo de aprendizagem. É um processo no qual analisa-se a situação do aluno com dificuldade dentro do contexto da escola, da sala de aula, da família; ou seja, é um exploração problemática do aluno frente à produção acadêmica.
Durante o diagnóstico psicopedagógico, o discurso, a postura, a atitude do paciente e dos envolvidos são pistas importantes que ajudam a chegar nas questões a serem desvendadas.
É através do desenvolvimento do olhar e da escuta psicopedagógica, trabalhados e incorporados pelo profissional que poderão ser lançadas as primeiras hipóteses a cerca do indivíduo. Esse olhar e essa escuta ultrapassam os dados reais relatados e buscam as entrelinhas, a emoção, a elaboração do discurso inconsciente que o atendido traz.
O objetivo do diagnóstico é obter uma compreensão global da sua forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo neste processo que leve a um prognóstico e encaminhamento para o problema de aprendizagem. Procura-se organizar os dados obtidos em relação aos diferentes aspectos envolvidos no processo de aprendizagem de forma particular. Ele envolve interdisciplinaridade em pelo menos três áreas: neurologia, psicopedagogia e psicologia, para possibilitar a eliminação de fatores que não são relevantes e a identificação da causa real do problema. É nesse momento que o psicopedagogo irá interagir com o cliente (aluno), com a família e a escola, partes envolvidas na dinâmica do processo de ensino-aprendizagem.
Também é importante ressaltar que o diagnóstico possui uma grande relevância tanto quanto o tratamento, por isso ele deve ser feito com muito cuidado, observando o comportamento e mudanças que isto pode acarretar no sujeito.
O diagnóstico psicopedagógico é visto como um momento de transição, um passaporte para a intervenção, devendo seguir alguns princípios, tais como: análise do contexto e leitura do sintoma; explicações das causas que coexistem temporalmente com o sintoma; obstáculo de ordem de conhecimento, de ordem da interação, da ordem do funcionamento e de ordem estrutural; explicações da origem do sintoma e das causas históricas; análise do distanciamento do fenômeno em relação aos parâmetros considerados aceitáveis, levantamento de hipótese sobre a configuração futura do fenômeno atual e, indicações e encaminhamentos.
O diagnóstico não pode ser considerado como um momento estático, pois é uma avaliação do aluno que envolve tanto os seus níveis atuais de desenvolvimento, quanto as suas capacidades e possibilidades de aprendizagem futura. Por muitos anos, era uma tarefa exclusiva dos especialistas, que analisavam algumas informações dos alunos, obtidas através da família e às vezes da escola, e logo após devolviam um laudo diagnóstico, quase sempre com termos técnicos incompreensíveis. A distância existente no relacionamento entre os especialistas, a família e a escola impediam o desenvolvimento de um trabalho eficiente com o aluno.
A proposta atual é que o diagnóstico seja um trabalho conjunto onde todas as pessoas que estão envolvidas com o aluno devem participar, e não atuar como meros coadjuvantes desse processo. Ele não é um estudo das manifestações aparentes que ocorrem no dia a dia escolar, é uma investigação profunda, na qual são identificadas as causas que interferem no desenvolvimento do aluno, sugerindo atividades adequadas para correção e/ou compensação das dificuldades, considerando as características de cada aluno.
O diagnóstico não deverá somente fundamentar uma deficiência, mas apontar as potencialidades do indivíduo. Não é simplesmente o que este tem, mas o que pode ser e como poderá se desenvolver.
É de extrema relevância detectarmos, através do diagnóstico, o momento da vida da criança em que se iniciam os problemas de aprendizagem. Do ponto de vista da intervenção, faz muita diferença constatarmos que as dificuldades de aprendizagem se iniciam com o ingresso na escola, pois pode ser um forte indício de que a problemática tinha como causa fatores intra-escolares (BOSSA, 2000, p. 101).
Ao se instrumentalizar um diagnóstico, é necessário que o profissional atente para o significado do sintoma a nível familiar e escolar e não o veja apenas em um recorte, como uma deficiência do sujeito. Que o psicopedagogo, através do diagnóstico acredite numa aprendizagem que possibilite transformar, sair do lugar estagnado e construir. Que ele seja o fio condutor que norteará a intervenção psicopedagógica.

Diagnóstico e Atendimento Psicopedagógico
O psicopedagogo necessita fazer inicialmente a coleta de todos os dados significativos do momento presente do seu cliente, já partindo da queixa (eixo horizontal), bem como de sua história de vida, ou seja, investigando o como foi se desenvolvendo desde o nascimento e interagindo com o meio familiar, escolar e social (eixo vertical).
Partindo dessa análise, primeiro sistema de hipóteses, o psicopedagogo terá condições de investigar e verificar as estruturas e modalidades de aprendizagem que o cliente construiu. Deverá então, escolher e fazer à aplicação dos instrumentos de avaliação psicopedagógica mais indicados para o caso.
Obtendo os resultados da avaliação, o psicopedagogo terá condições de elencar o segundo sistema de hipóteses, o qual permitirá a ele, fazer a proposta de intervenção ao cliente e a devolução aos interessados (família e escola), definindo o enquadramento do trabalho a ser realizado e o possível prognóstico.
Acredito que, partindo de hipóteses bem elaboradas, o psicopedagogo terá subsídios significativos para também fazer psicopedagogicamente um trabalho com qualidade.

A importância da Observação, do Registro e da Parceria
No movimento individual que se faz quanto á organização do pensamento, produção de texto, deve-se esperar o que a criança está acreditando estar certo para ela, mesmo que seja uma linha.
Temos que deixar a criança à vontade e se as dúvidas aparecem, penso que não é no momento do teste que deverão ser sanadas. Você observa, registra e depois faz suas conclusões do que a criança está dominando para a sua idade e série(ano) e o que você poderá estar realizando como intervenção, os instrumentos facilitadores para aprendizagem, a estimulação para a leitura e escrita. Com certeza, estará permitindo com que a criança encontre o seu caminho para motivar-se a escrita e leitura.
Apesar de sua flexibilidade, convém salientar que a utilização do Método Clínico está diretamente condicionada ao objetivo a que se propõe, qual seja o de avaliar o desenvolvimento da inteligência. Como a cognição é constituída por habilidades de diversas naturezas, é importante que o examinador compreenda bem os conceitos envolvidos para definir adequadamente o âmbito das perguntas a serem feitas. Por outro lado, é também extremamente importante que ele registre as respostas do sujeito da forma como ele as formulou, ficando atento para o processo de pensamento que é explicitado pela linguagem.
O contato com a família e com a escola, será muito importantes para averiguar se há progressos e o que se espera dela enquanto construtora de conhecimento. Os pais e o professor podem ser grandes aliados para o trabalho psicopedagógico.
As propostas do lúdico na fase de coleta de dados no diagnóstico psicopedagógico clínico:
O jogo é uma forma de aproximação e observação do cliente com o terapeuta, que terá por conseguinte, a oportunidade de investigar pelo lúdico, as características subjetivas do cliente, o qual poderá revelar o como está processando a construção de sua ação sobre a realidade, demonstrando de forma espontânea, dados relevantes sobre as modalidades de aprendizagem que o mesmo possui. Com certeza dará indícios para um diagnóstico mais apurado para o trabalho psicopedagógico clínico.
Passos para a elaboração
do diagnóstico psicopedagógico:
a)Deve-se realizar o diagnóstico psicopedagógico clinico para averiguar e analisar a modalidade de aprendizagem do cliente, correlacionando aspectos de sua história pregressa e atual, bem como a estruturação de sua aprendizagem.
b)Deverá ter um tempo estipulado de seis a sete sessões e que contemple cada uma o tempo de quarenta e cinco minutos, visando realizar:
1- Duas sessões para a fase de coleta de dados;
2-Três a Quatro sessões para a aplicação de instrumentos de avaliação psicopedagógica;
3- Uma sessão de devolução.
Modalidade de Aprendizagem
É o modo próprio e particular que cada ser humano tem para se apropriar/construir conhecimentos e de se relacionar com eles.
Sugestão: o artigo Avaliação Psicopedagógica, elaborado pela Supervisora e Terapeuta Psicopedagógica, Maria das Graças Sobral Griz, é uma boa leitura para complemento e compreensão da modalidade de aprendizagem.
Está disponível no site www.psicpedagogia.com.br. Ano de 2002.

Anamnese
O termo anamnese vem do grego Anámnesis, onde o prefixo aná” quer dizer “trazer de novo” e“mnesis” quer dizer “memória”, ou seja, proceder a anamnese é “trazer de novo à memória” importante focais informações sobre o histórico de vida do cliente. Cada área foca determinado aspecto do desenvolvimento da pessoa, dependendo de sua abordagem ou interesse científico.
A ANAMNESE tem que ser realizada de forma acolhedora e que seja significativa para quem vai se expor e para quem vai observar e registrar os dados. Precisa-se perceber o clima e saber conduzir ou contornar certas interpéries que por ventura ocorrerem.
O que percebe-se como relevante e significativo é de que o entrevistador, no caso o psicopedagogo, não venha a se interessar somente pelos dados de quando... onde... porquê..., mas pelo COMO ocorreu tal situação..., comportamento ... o COMO nos permite direcionar o trabalho psicopedagógico para compreensão e auxilio quanto às modalidades de aprendizagem do atendido.
Percebe-se que todo psicopedagogo deve utilizar o bom senso, a lógica e a coerência para aplicar os testes necessários, conforme estiver o seu cliente no processo de aprendizagem, respeitando a queixa inicial ao mesmo.Com certeza,uma boa escuta e um bom olhar, são peças fundamentais para o psicopedagogo se eximir de formular hipóteses equivocadas ou insuficientes ao caso.
A anamnese não tem tempo determinado para se encerrar durante o processo de diagnóstico, pois desde a primeira sessão até a sessão que antecede a devolutiva ou o parecer se realiza anamnese. Às vezes se faz de forma explícita, quando se preenche o questionário; e às vezes se faz de forma velada, quando se capta um ato falho mais significante sobre uma determinada experiência.
Cabe ao Psicopedagogo:
-ter consciência de que não são os resultados dos testes que confirmarão suas hipóteses, mas seu ¨feeling¨, sua sensibilidade em interpretar tais resultados;
-seu olhar dirigido para ver e compreender o sujeito que aprende, privilegiando a história, o contexto;
-sua intuição sobre a simples e crua realidade dos resultados.
Em síntese, o psicopedagogo deve utilizar o bom senso, a lógica e a coerência para aplicar os testes necessários, conforme estiver o seu cliente no processo de aprendizagem, respeitando a queixa inicial ao mesmo.Com certeza,uma boa escuta e um bom olhar, são peças fundamentais para se eximir de hipóteses equivocadas ou insuficientes ao caso. Ter consciência de que não são os resultados dos testes que confirmarão suas hipóteses, mas seu ¨feeling¨, sua sensibilidade em interpretar tais resultados.


RELATÓRIO PSICOPEDAGÓGICO:


CONSULTÓRIO PSICOPEDAGÓGICO

Segundo o Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio (família, escola e sociedade) no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da psicopedagogia.

A Psicopedagogia dirige sua atenção a todos aqueles que apresentam dificuldade de aprendizagem e aos que desejam entender e melhorar sua própria capacidade de aprender, independente da idade e do lugar onde atuam.

OBJETIVOS:GERAL:

Visa propiciar atendimento psicopedagógico as crianças, adolescentes e adultos, realizar diagnóstico e intervenção psicopedagógico, utilizando métodos, instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia e trabalhos de prevenção.

ESPECÍFICOS:

ა.Favorecer e auxiliar aqueles indivíduos que se sentem impedidos para o saber.

ბ.Auxiliar indivíduos com transtornos de aprendizagem.

გ.Reintegrar o sujeito da aprendizagem a uma vida escolar e social tranqüila, bem como, a uma relação mais afetiva consigo e com o outro.

დ.Levar o indivíduo ao reconhecimento de suas potencialidades.

ე.Auxiliar o indivíduo no reconhecimento dos limites e como interagir diante deles.

ვ.Ajudar o indivíduo na busca de alternativas para alcançar o saber.

ზ.Ressignificar conceitos que influenciam o indivíduo no momento do aprender.

ჱ.Atender o sujeito que apresenta alguma limitação/dificuldade de aprendizagem;

თ.Estudar o aspecto inter e intra-psíquico do sujeito, investigando o processo de aprendizagem.

ი.Diagnosticar em que nível de desenvolvimento o sujeito se encontra.

ია.Propor tratamentos para os possíveis problemas de aprendizagens.

Atendimento psicopedagógico: a) Observação participante:

A observação é altamente usada em Psicopedagogia porque ela está atrelada ao “ouvir” e ao “olhar” que o Psicopedagogo dirige a todos aqueles que procuram o seu apoio. A observação é participativa porque parte do princípio da “empatia”, da “interação” do “estar contingente” com a situação vivenciada sem impor opiniões e pontos de vista, e sendo afetado por ela. Ao Psicopedagogo não basta ouvir o que o outro tem a dizer, ele tem de participar, auxiliar o outro a articular, a se “resignar” - conformar-se, conciliar-se, harmonizar-se diante de sua história de vida para poder ressignificar-se, ou seja, dar um novo significado à sua história e ações.


b) Entrevistas:

As entrevistas realizadas com os pais (Anamnese), com os professores, coordenadores e com outros profissionais têm por finalidade aprofundar as questões apresentadas, esclarecer o que foi observado, entender a modalidade de ensino-aprendizagem de cada envolvido, entender os significados ocultos em seus discursos, trocar informações, entender quais são os mitos e as crenças a respeito da aprendizagem.

Para que as entrevistas tenham eficiência é necessário que se crie, antes de tudo, um vínculo de confiança entre as partes envolvidas baseado na ética, na moral e no respeito mútuo na medida em que somente um encontro baseado nesse vínculo permitirá a aprendizagem de todos os envolvidos.

c) Análise de documentos:

Os documentos produzidos durante as entrevistas, os dados coletados de outros profissionais e os trabalhos realizados pela criança são usados no sentido de contextualizar o que foi observado, para explicitar as vinculações conscientes e inconscientes, e para identificar a modalidade de ensino-aprendizagem dos envolvidos e, conseqüentemente, para dar continuidade ao atendimento.

d) Orientação aos pais:

A orientação aos pais e responsáveis deve esclarecer dúvidas, preparando e organizando procedimentos de maneira sistemática afim de que a dinâmica familiar possa ser ressignificada gradativamente com apoio, fundamentação teórica e supervisão constante, para melhor conduzir as crianças na construção das modalidades de aprendizagem.

e) Orientação escolar:

A orientação escolar visa auxiliar professores, técnicos e profissionais da área diante das complexidades apresentadas no cotidiano, bem como, na busca da aplicabilidade de novas técnicas e conhecimentos com a intenção de eliminar as fraturas de aprendizagem. É importante analisar a situação do aluno com dificuldades dentro dos limites da escola e da sala de aula, a fim de proporcionar orientações e instrumentos de trabalho aos professores, para que sejam capazes de modificar o conflito estabelecido; avaliar o espaço físico e psíquico da aprendizagem quanto aos seus processos didáticos-metodológicos e a dinâmica institucional utilizada; observar: o material didático e sua utilização, as aulas, os professores, os alunos e as relações estabelecidas professor, aluno e escola; e diagnosticar as rupturas e apresentar soluções contextualizadas à escola e seus objetivos.

f) Acompanhamento Individual:

O acompanhamento individual visa compreender o sujeito de maneira global, percebendo qual é a dimensão da suas relações: família, escola e sociedade e como o sujeito aprende, qual a dificuldade de aprendizagem e qual a hipótese da fratura do aprender.

Esse movimento se dá diretamente com o sujeito num atendimento individualizado, buscando investigar, intervir e significar o que não vai bem com o sujeito seja no âmbito da aprendizagem ou no âmbito social sempre numa perspectiva de ressignificação dos conceitos.

g) Produções do atendido

Os trabalhos elaborados pela criança servem de apoio e guia para uma boa análise do processo. É normal que a criança queira levá-los para casa, principalmente se for um desenho, uma pintura, modelagem em argila etc. Explique antes de iniciar os encontros que tudo o que for produzido deverá permanecer no “espaço psicopedagógico” até que o processo termine. Caso o Psicopedagogo queira manter os trabalhos além do tempo estipulado, sugiro que faça cópia, tire fotos, escaneie, porque assim poderá dispor da produção da criança em uma supervisão, trabalho acadêmico e registros pessoais, desde que autorizados pelos pais e pela criança.

Durante essa etapa, deixe que a criança manifeste o desejo de guardar ou não suas produções, colocar no mural, emprestar etc.

h) Atendimento psicopedagógico

O Atendimento Psicopedagógico divide-se em duas etapas – Diagnóstico e Acompanhamento. Isto é importante para o psicopedagogo porque satisfaz a questão da Escola e dos pais que necessitam em um primeiro momento de saber o que acontece com o desenvolvimento escolar da criança ou jovem; e para instrumentalizar o Psicopedagogo de bases que fundamentem a sua intervenção na medida em que não há como intervir sem saber de antemão como o outro é em sua essência e em seu modo de agir.
O Diagnóstico procura conhecer a criança ou jovem na sua especificidade e singularidade para identificar como ela faz para aprender aquilo que aprende. 


O Acompanhamento procura dar seqüência aos trabalhos iniciados no diagnóstico, com um projeto de intervenção baseado nos dados colhidos e observados. Aqui os pais decidem ou não dar seqüência ao atendimento, podendo fazê-lo com o mesmo profissional ou com outro de seu conhecimento e interesse. 

Durante todo o Atendimento Psicopedagógico a criança estará em processo avaliativo, pois a cada momento sempre é apresentado um sujeito agindo e aprendendo. O Psicopedagogo é o mediador nessa relação, abrindo espaço para que a criança possa ocupar um outro lugar, para que ela possa reencontrar o prazer de aprender sobre si mesma e sobre o mundo. 

O objetivo geral do Atendimento Psicopedagógico deve ser direcionado e está estritamente vinculado ao próprio objetivo da Psicopedagogia que é o de favorecer a “autoria de pensamento”. 

Para sua consecução, o Psicopedagogo procura respeitar o próprio ritmo da criança porque pressupõe que o conhecimento, o saber deverá ser construído unicamente por ela a partir daquilo que ela mesma consegue processar e simbolizar durante o atendimento psicopedagógico. Desta forma abre-se a possibilidade para que a criança possa aprender no nível mais alto que suas condições orgânicas, constitucionais e pessoais lhe permitam. 

O Diagnóstico é o que dá subsídios ao Psicopedagogo para intervir. Apesar de a escola e dos pais pedirem uma avaliação psicopedagógica para atender principalmente a uma demanda deles, essa avaliação, antes de tudo, é um valioso instrumento para o profissional já que oferece alguns parâmetros para a construção de um projeto de intervenção que será desenvolvido com a criança ou jovem, objetivando o seu desenvolvimento. 

Por isso, uma boa avaliação inicial é o ponto de partida para a compreensão do significado do problema de aprendizagem. É importante ter uma ‘dupla escuta’ que possibilite verificar como o ‘sintoma’ se apresenta, isto é, identificar a origem do problema, compreender o seu significado e quais as operações mentais que o constituem. Entender o que significa não conseguir somar, dividir, multiplicar, não conseguir ler, escrever, falar, contar, relatar. 

Na avaliação inicial procura-se saber como a criança faz para aprender aquilo que ela aprende na medida em que se acredita que mesmo apresentando “sintoma de não-aprender”, a criança sempre aprende algo. Por isso, o Psicopedagogo tem como objetivo, nessa etapa, identificar como a criança pensa, quais são as suas lógicas, os seus argumentos e seus posicionamentos. Identificar como ela se relaciona com o objeto do conhecimento, com ela mesma, com os pais, familiares, amigos, professores nos diversos contextos em que ela atua e vive. 

A observação contínua e a realização de atividades adequadas contribuem de maneira ímpar para um bom desenvolvimento do diagnóstico e para se identificar a modalidade ensino-aprendizagem da criança, da família e dos professores. As atividades propostas nessa etapa estão vinculadas necessariamente à identificação do nível de domínio da linguagem oral e escrita, do desenvolvimento psicomotor, do nível cognitivo de pensamento e das manifestações afetivas (posturas) diante de si mesma, do outro e do objeto do conhecimento. 



RELATÓRIO PSICOPEDAGÓGICO: 

Esse valioso instrumento é elaborado a partir de todas as anotações dos encontros, de relatórios feitos pelo Psicopedagogo após cada encontro, de observações próprias, questionamentos e análises de todo o processo. Todos esses dados coletados servirão de base para o Relatório Psicopedagógico. 
No Relatório deverão constar as seguintes informações: Identificação da criança, motivo do encaminhamento, período em que foi realizado, a postura da criança durante o processo, avaliações cognitiva, pedagógica, motora, e a dinâmica que estabelece em relação à aprendizagem, orientação aos pais, aos professores e conclusão. 



MODELOS DE RELATÓRIOS



Modelo 1: 



Espaço Psicopedagógico .......................



RELATÓRIO PSICOPEDAGÓGICO I – IDENTIFICAÇÃO: 

Nome: F( ) M ( ) 

Escola: Nasc.: 

Professora: Idade: 

Pai: Série: 

Mãe: Tel.: 

Encaminhamento: Cel.: 

II – MOTIVO DO ENCAMINHAMENTO: 



III – DESENVOLVIMENTO: 

PERÍODO DO DIAGNÓSTICO: POSTURA DURANTE O PROCESSO: ASPECTO COGNITIVO: ASPECTO PEDAGÓGICO: ASPECTO PSICOMOTOR: DINÂMICA QUE ESTABELECE EM RELAÇÃO À APRENDIZAGEM:


IV – ORIENTAÇÃO À ESCOLA: 


V – ORIENTAÇÃO AOS PAIS: 


VI – DIAGNÓSTICO: 


VII – PSICOPEDAGOGO RESPONSÁVEL: 


Espaço Psicopedagógico ...............

Endereço completo do Espaço

Cep – Cidade – Estado

Tel.:

e-mail:Modelo 2: 


Espaço Psicopedagógico.....

Nome:

Nascimento:

Idade:

Escola:

Série:

Encaminhamento:

Relatório Psicopedagógico


Motivo da Avaliação e Encaminhamento:


Período da Avaliação:


Avaliação Pedagógica:


Avaliação Cognitiva:


Avaliação Motora:


Relação que estabelece com o outro:



Relação que estabelece com o objeto do conhecimento:


Recomendações aos pais:


Recomendações à escola:

Conclusão:


Espaço Psicopedagógico ...............

Endereço completo do Espaço

Cep – Cidade – Estado

Tel.:

e-mail: RECURSOS 

Materiais utilizados nas Entrevistas Operatória Centrada na Aprendizagem, E.O.C.A.; nas Provas Piagetianas; Provas Projetivas Psicopedagógicas; Sessões Lúdicas; Testagens diversas etc. 


Entrevistas: escolar, família e profissionais, análise e produção do sujeito extraconsultório. 


Jogos específicos e material lúdico em geral. 


Material técnico ao desenvolvimento específico do trabalho. 


Material geral: papel, cartolina, pincel, tintas, lápis de cor, giz de cera, tesoura, cola, etc... 


Material de apoio: fitas, gravador, aparelho de som, TV, vídeo, etc. 


OBSERVAÇÕES: 

Com a formação de Psicopedagoga clínica, pode-se alugar uma sala, abrir o consultório e atuar como Psicopedagoga. O que não se pode fazer é aplicar provas exclusivas de Psicólogas, pois estaria se invadindo uma área que não é própria da psicopedagogia, mesmo que alguém ensine como aplicá-las, o psicopedagogo não poderá fazê-lo. 

Não existe um tempo para começar a clinicar com segurança, até mesmo porque esta segurança virá com a prática. 


Esquema de Atendimento 

1ª semana – primeiro momento - primeiros contatos: 

1º contato: por telefone, para ouvir a demanda da família (mãe, pai ou outro ensinante) seja em relação ao próprio problema quanto em questões acerca de tempo e custos. É importante se marcar um horário para um primeiro encontro de reconhecimentos mútuos. 

1º encontro com os pais: para os envolvidos se conhecerem, conhecer o espaço, o “motivo” do atendimento. Receber “contrato” e explicações básicas sobre todo o processo. 

1º encontro com a criança: conhecer a criança – Hora do Jogo Psicopedagógico ou atividade livre. 

2ª semana – desenvolvimento: 

2º encontro com os pais: conhecer sobre a história de vida da criança e da família (Anamnese). Receber o ‘contrato’ assinado e tirar dúvidas. 

2ª encontro com a criança: avaliação psicomotora 

3ª semana: 

3ª encontro com a criança: avaliação cognitiva 

1ª encontro com a professora: ouvir o que ela tem a dizer 

4ª semana: 

4ª encontro com a criança: avaliação pedagógica 

1º encontro com outro profissional ou por telefone. 

5ª semana: 

5ª encontro com a criança: avaliação projetiva 

6ª semana: 

6ª encontro com a criança: complementar alguns dados das fases anteriores – atividades livres. 

7ª semana - terceiro momento - relatórios: 


3ª encontro com os pais: entregar aos pais relatório final sobre o que foi observado na criança, e a necessidade ou não da continuidade no atendimento. 

4º encontro com os pais: para tirar dúvidas do Relatório Psicopedagógico e assinatura do contrato de Acompanhamento Psicopedagógico. 

7ª encontro com a criança: fazer uma retrospectiva com a criança do seu percurso para que ela mesma proceda a uma auto-valoração informando-a da continuidade ou não no atendimento. 


8ª semana - relatórios: 

2ª encontro com a professora: entregar relatório final e orientações. 

2º encontro com outros profissionais. 


Atendimento

Esquema de atendimento semanal para a criança: Semana Especificação do Encontro Quem Tempo Valor Valor 

1ª Telefônico pais 10 min - - 

1ª Motivo do Atendimento pais 30 min - 20,00 

1ª Conhecer com atividade livre criança 30 min - 20,00 

2ª Anamnese pais 2 h 50,00 40,00 

2ª Avaliação Motora criança 50 min 50,00 40,00 

3ª Avaliação Cognitiva criança 50 min 50,00 40,00 

3ª Visita à Escola professora 30 min 25,00 20,00 

4ª Avaliação Pedagógica criança 50 min 50,00 40,00 

4ª Visita a outros profissionais/telefonema profissional 30 min - 20,00 

5ª Avaliação Projetiva criança 50 min 50,00 40,00 

6ª Avaliação com atividade livre criança 50 min 50,00 40,00 

7ª Entrega do Relatório pais 50 min 50,00 40,00 

7ª Revisão do Relatório pais 30 min 25,00 20,00 

7ª Relatório e retrospectiva criança 30 min 25,00 20,00 

8ª Relatório para a escola professora 30 min 25,00 20,00 

8ª Relaltório para outros profissionais profissional 30 min - 20,00 

2 meses 450,00 440,00 

Espaço PSICOPEDAGÓGICO - Montagem

- Tamanho: no mínimo de 30 metros quadrados. 

- Divisão: Recepção, sala de atendimento, banheiro. 


ESPECIFICAÇÕES DE CADA AMBIENTE: 

Recepção: com no mínimo 1.50 x 2,00m. Esse espaço deverá possuir uma vedação acústica. O ideal é se fazer duas paredes em alvenaria ou gesso cartonado com um espaço entre elas de 10 cm, usando bloco de isopor grosso entre elas. As divisórias comuns não isolam o ambiente. Essa vedação é importante para se dar privacidade principalmente à criança. 

Banheiro: de 1,50 x 1,50m. Dependendo do espaço pretendido, o banheiro pode ser na recepção ou na sala de atendimento. O ideal seriam dois banheiros. Um na recepção e outro de uso exclusivo do profissional e da criança. 


Área de atendimento: Esse espaço deve possuir pelo menos uma janela para a circulação de ar. O espaço utilizado será o restante que sobrar após a demarcação da parede que isolará a recepção. Essa é uma parte importantíssima de seu espaço. Ele poderá ser dividido por três ambientes específicos sem necessidade de se colocar paredes. Quanto mais amplo, melhor. O primeiro ambiente é a área de trabalho que você pode optar por apenas uma mesa que facilite as três atividades que normalmente se faz: atender os pais, preparar relatórios e para as atividades da criança. O segundo é o de leitura e para atividades no chão. Esse ambiente pode ser feito apenas com um tapete, almofadões e uma pequena estante com livros. O terceiro é uma área de livre circulação para atividades que exijam uma maior mobilidade da criança. Atente bem para as suas escolhas, porque elas mostram claramente que tipo de pessoa que você é e o que pretende. 

OUTRAS SUGESTÕES: 

Dependendo do espaço disponível, há a possibilidade de se fazer algumas adaptações que certamente facilitarão o desenvolvimento de seu trabalho. 


Não execute nenhuma divisão na sala antes de medir bem o espaço total e fazer um pequeno esboço (planta baixa) com todas as medidas que deseja para cada ambiente. Proceda assim também com os móveis. Idealize em um pequeno desenho todas as possibilidades de colocação dos móveis e verifique a metragem ideal para eles antes de realizar a compra. 


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