segunda-feira, 28 de março de 2016

TRANSTORNO DE CONDUTA



Não existe uma causa específica para o transtorno. Atualmente acredita-se que vulnerabilidades genéticas estariam associadas a fatores ambientais ou estressores sociais que funcionariam como desencadeadores do transtorno.
Esses estressores sociais frequentemente envolvidos no desencadeamento do transtorno de conduta estão ligados a ambientes familiares caóticos, com a presença de violência doméstica representada por pais agressivos, negligentes e ausentes. Esses fatos colaboram para a criação de um modelo comportamental nos filhos que passam a apresentar comportamento semelhante em ambiente escolar e em situações sociais de modo geral. Famílias instáveis com brigas conjugais, pais abusadores de álcool ou drogas e abuso físico ou sexual na infância também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno de conduta. O transtorno também se apresenta mais comumente nas classes socioeconômicas menos favorecidas, onde a violência pode estar mais presente.
Em muitos casos, o transtorno de conduta aparece como uma continuação evolutiva do transtorno desafiador opositivo. Isso significa que os sintomas psicopatológicos iniciaram anos antes, mas infelizmente a incapacidade de intervenção precoce com a criança proporcionou a evolução para sintomas mais graves e mais severos.
O que devemos fazer nos casos de transtorno de conduta?

O tratamento deste transtorno envolve intervenções junto ao jovem, à família e à escola através de medidas socioeducativas, treinamento de habilidades sociais e de técnicas cognitivo-comportamentais que são utilizadas para o controle da agressão, modulação do comportamento social, estímulo ao diálogo e melhoria do relacionamento entre pais e filhos. Estratégias de resolução de problemas, autocontrole e o ensinamento de como pais e familiares podem reforçar positivamente comportamentos sociais aceitáveis ajudam no bom prognóstico do paciente.
Na escola, professores e funcionários podem encontrar mecanismos mais adequados para reintegrar o aluno em sala de aula. Técnicas comportamentais podem ser aprendidas para que a promoção e o estímulo de comportamentos aceitáveis do aluno sejam introduzidos e atitudes de desrespeito e agressão sejam desencorajadas.
A utilização de medicamentos pode ser muito útil e eficaz no manejo de sintomas como agressividade, explosões de raiva e impulsividade, sendo os neurolépticos atípicos e estabilizadores do humor medicamentos amplamente utilizados neste sentido.
A utilização de estimulantes para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade associado ao transtorno de conduta pode resultar em grande melhora da sintomatologia disruptiva. O tratamento de outros transtornos comportamentais associados como os transtornos do humor, transtornos ansiosos, uso de drogas e transtornos de aprendizagem também auxiliam na melhoria dos sintomas. A hospitalização de curto prazo é outro recurso que pode ser utilizado com o objetivo de dar limite ao adolescente em casos de risco de agressão a pais ou auto-agressão.
Muitas vezes a possibilidade de sanções legais através do Juizado da Infância e da Adolescência e do Conselho Tutelar pode contribuir ao desencorajamento de comportamentos de conduta.
Vale ressaltar que a gravidade dos sintomas no transtorno de conduta, a negação ao tratamento pelo jovem, além da possibilidade de envolvimento com drogas e criminalidade dificultam muito o tratamento.
Dr. Gustavo Teixeira
Psiquiatria da infância e adolescência