sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Rojões, foguetes e barulhos e os autistas ?

Relato de uma mãe de uma pessoa Autista sobre os barulhos festivos de final de ano:
“O barulho dos fogos deixa meu filho autista agitado e com muito medo”, diz mãe
Mãe relata problemas causados pelos fogos de artifício; projeto pretende proibir a venda na cidade
“Já tentamos de tudo. Compramos fone de ouvido. Colocamos músicas para disfarçar o barulho. Infelizmente, todas as tentativas frustradas. O barulho dos fogos deixa meu filho autista extremamente agitado e com muito medo. É perturbador vê-lo naquele estado e não ter condições de fazer nada, apenas chorar escondido”.
O relato é da diarista Zuleica Marques, de 36 anos, mãe do Samuel, de 11 anos. Ambos moram no Jardim Vitória, em Suzano. Samuel é autista. Ele faz tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) infatojuvenil “Entrelaços”, localizado no município. Na unidade é acompanhado por uma equipe multidisciplinar. O diagnóstico comprovado de autismo veio há dois anos, mas a suspeita da doença o acompanhava desde os dois anos de idade.
“O Samuel é uma criança tranquila, sociável e muito carinhosa, porém, quando ouve o barulho dos fogos ele se transforma”, contou Zuleica. “E este comportamento não ocorre com outros barulhos, como um escapamento de caminhão ou um som alto. É o estampido dos fogos de artifício que o faz ficar com medo. Chega a sair gritando e querendo se esconder”, descreveu a mãe do Samuel.
Zuleica e o marido dela, José, já tentaram amenizar as crises, mas nada deu certo. A única maneira de diminuir os efeitos do transtorno causado pelo barulho dos fogos é ir para um quarto, reunir a família e trancar portas e janelas. “O pai, a mãe, os irmãos, e o lar dele são os únicos refúgios que o Samuel encontra nestes momentos de crise. Escondemos o choro e ficamos ao lado dele, o apoiando e o encorajando a superar. É uma situação muito difícil para nós e para ele, porque a sensibilidade dele, por ser autista, é muito maior que a nossa”, descreveu.
Para Zuleica, Samuel e todo restante da família, as festas tradicionais como o Natal e o Ano Novo têm uma comemoração diferente da maioria das pessoas. “No Natal, fazemos a troca de presentes muito antes da meia-noite. A solução que encontramos é dormir cedo, antes dos fogos. O mesmo ocorre no Ano Novo. Tivemos que nos adaptar. Foi o jeito”, relatou.
“Enquanto existir o barulho dos fogos, não conseguiremos comemorar a Virada do Ano. Ou o Samuel evolui e diminui o grau do autismo ou as pessoas se conscientizam do mal que o barulho dos fogos causa aos autistas”, disse Zuleica.
Samuel é uma das muitas crianças autistas que poderão ser beneficiadas com o projeto do vereador suzanense Lisandro Frederico, que proíbe fogos de artifício com barulho na cidade. Um audiência pública para discutir a proposta será realizada no dia 19 de setembro, às 19 horas, na Câmara Municipal.
Assim como Zuleica, a Comissão do Bem Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Suzano, a Associação da Melhor Idade, e o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS infatojuvenil “Entrelaços” já manifestarem apoio à iniciativa.
“É pensando no Samuel, na família dele e nas muitas outras crianças que sofrem com autismo, que apresentamos este projeto”, afirmou Lisandro.