sábado, 17 de junho de 2023

Métodos de Ensino

 

Métodos de ensino mais utilizados no Brasil

GIOVANNA CORNELIO
Fonte: Melhor escola
Os métodos de ensino são importantes não apenas para construção do saber. Eles também refletem os valores de uma instituição. Ao longo do tempo, descobrimos que o conhecimento pode ser transmitido de diferentes maneiras. Assim como a humanidade passou por transformações, os métodos de ensino também mudaram. Se há algumas décadas, acreditava-se que a único modelo de aprendizagem eficaz era aquele centrado na figura do professor, hoje sabemos que existem diversas formas de aprender.
MAS AFINAL, QUE É UM MÉTODO DE ENSINO?
Chamamos de método de ensino e de aprendizagem a maneira como o conteúdo será transmitido por professores para crianças na escola. Portanto, ao elaborar seu Projeto Político Pedagógico (PPP), todas as escolas têm autonomia para escolher, dentre os diversos métodos de ensino, o mais adequado para refletir os valores defendidos pela instituição.
Se por um lado a escola tem liberdade para escolher o modelo de aprendizagem, por outro ela ainda deve cumprir com a proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além do conteúdo programático, o método de ensino também é responsável por determinar os tipos de avaliação da aprendizagem dos alunos em cada ano escolar.
Apesar do método tradicional ser o mais conhecido, diferentes novas abordagens têm sido adotadas no Brasil. Suas diferenças podem ser notadas principalmente no papel ocupado por aluno e professor dentro do processo de aprendizagem. Se você ainda tem dúvidas ou quer saber mais sobre a eficácia deles, confira abaixo a lista que preparamos.
TRADICIONAL
Dentre todos os métodos de ensino, a abordagem tradicional, como o próprio nome sugere, é a mais convencional dentre todas e integra a prática educacional formal. O modelo predominante no país tem como princípio uma relação vertical de exposição de conhecimentos e cobrança de resultados. Desse modo, o professor ocupa uma posição central, como o detentor do conhecimento, e o transfere as informações para a criança. A absorção desse conhecimento ocorre de maneira passiva.
Nesse método, existe uma ênfase nos exercícios, repetição de conceitos ou fórmulas e na memorização, visando disciplinar a mente e criar hábitos. As aulas são sempre expositivas e o desempenho é analisado por meio de provas. Os alunos que não conseguirem atingir as metas propostas, dentro do tempo estabelecido, ou cujos resultados forem insatisfatórios, são reprovados.
As escola que utilizam o método tradicional se organizam por séries e o número de alunos em cada sala varia. Acredita-se que os esforços da criança e seu comprometimento com o conteúdo são determinantes para o alcance de bons resultados em provas e vestibulares.
MÉTODO DE ENSINO CONSTRUTIVISTA
Ao contrário do modelo tradicional, o método construtivista coloca o aluno como protagonista do seu próprio processo de aprendizagem. A educação não é vista como uma simples transmissão de conhecimento, mas sim como uma construção de aprendizagem base na experiência do aluno. Assumindo a posição de um sujeito ativo, a criança é estimulada a buscar por seus próprios interesses, levantar questionamento e buscar soluções para os problemas dentro do seu próprio tempo, de acordo com a sua realidade
Esse método tem como base os trabalhos do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) e propõe um currículo bastante flexível. A escola construtivista possui uma abordagem filosófica e científica. Como filosofia, dois conceitos se destacam como formas de conceber o conhecimento: racionalismo e empirismo. O racionalismo concentra o conhecimento no sujeito em seu interior. Enquanto o empirismo possui o conceito de conhecimento a partir dos sentidos e objetos, ou seja, do contato do sujeito com o mundo. Já em sua abordagem científica, o construtivismo busca entender a gênese do conhecimento, isto é, como o conhecimento é construído.
EM TERRITÓRIO NACIONAL
O método chegou no Brasil por volta da década de 1980 e defende a organização da escola em ciclos ao invés de séries. Além disso, uma sala de aula construtivista conta com poucos alunos, para que haja o acompanhamento da evolução do aprendizado e a intervenção do professor sempre que se faça necessário. O papel do professor é propor e incentivar o desenvolvimento das atividades, e não impô-las. Nesse sentido, os alunos são incentivados a participar constantemente das discussões, seja para expor opiniões ou tirar dúvidas.
Outra característica marcante da escola construtivista é a ênfase dada ao erro, considerado um elemento importante para o crescimento e construção da aprendizagem. O aluno aprende a aprender, por isso o trabalho em grupo também é bastante valorizado.
A BNCC prevê que o aluno deve concluir os anos de ensino sendo capazes de aplicar o conhecimento adquirido na prática. Essa é exatamente a proposta do método, por isso ele vem substituindo cada vez mais o método tradicional. Contudo, sua aplicação integral ainda recebe muitas críticas, uma vez que o contexto da educação brasileira não permite a adoção do modelo em todas as escolas. A desigualdade social não permite que todas as escolas tenham condições estruturais para colocar uma quantidade reduzida de alunos por sala e nem alterar a forma de trabalho dos professores.
Apesar do modelo sugerir a abolição dos métodos avaliativos, no Brasil as escolas também aplicam provas e podem ocorrer reprovação de alunos.
MÉTODO MONTESSORIANO
O modelo montessoriano foi criado pela médica italiana Maria Montessori (1870 – 1952), e possui como maior princípio o respeito e compreensão da individualidade da criança. O ambiente montessoriano é organizado de maneira que estimule a autonomia e independência da criança durante o processo de aprendizado. Nesse contexto, os professores se tornam facilitadores do conhecimento, assumindo um papel de guia do processo ao tirar dúvidas e ajudar os alunos a superar dificuldades.
Cada indivíduo se desenvolve em seu tempo e de maneira independente, seguindo seu próprio ritmo de desenvolvimento neurológico e social. Desse modo, as classes são mistas em relação à faixa etária e podem ser organizadas por série ou ciclos, tendo como parâmetro módulos obrigatórios a serem cumpridos. Essa organização que uma criança ensine a outra, permitindo a troca de experiências.
O MÉTODO MONTESSORIANO POSSUI 6 PILARES:
1- Autoeducação: o aluno deve aprender sozinho, sem grande interferência de adultos.
2- Educação cósmica: tudo está interligado. Áreas separadas se tornam abstratas, por isso, todo o conteúdo possui um vínculo.
3- Educação como ciência: a análise e compreensão do comportamento das crianças.
4- Ambiente preparado: o ambiente é propício para que as crianças tenham liberdade e autonomia. Além de objetos na altura do alcance das crianças, o espaço de aula também é minimalista, contendo apenas o necessário para o desenvolvimento das atividades.
5- Adulto preparado: o papel do adulto é observar as crianças e intervir somente quando necessário. A maior regra desse passo é nunca fazer pela criança aquilo que ela pode fazer sozinha.
6- Criança equilibrada: quando a criança se encontra concentrada, isso significa que ela está em equilíbrio. É importante que não haja a interrupção de um adulto neste momento.
PEDAGOGIA WALDORF
O método Waldorf foi criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861 – 1925) e foi aplicado pela primeira vez em uma escola para filhos de operários alemães de uma fábrica de cigarros chamada Waldorf-Astoria.
Segundo a visão antropológica do método, os princípios gerais do desenvolvimento dos seres humanos ocorrem em etapas de sete anos, os denominados setênios. Cada setênio apresenta momentos claramente diferenciáveis, nos quais a criança demonstra diferentes interesses, levanta questionamentos e possui necessidades concretas.
Durante o primeiro setênio (de zero a sete anos) a criança se desenvolve fisicamente e esse período é bastante importante para determinar se ela terá uma maior ou menor capacidade de atuar com liberdade ao longo de sua vida adulta. O desenvolvimento do corpo é fundamental à educação, pois é por meio dele que o indivíduo cumpre sua missão. A educação visa proporcionar um corpo são para uma mente sã.
Sua estrutura se baseia em 3 colunas principais: pensar, querer e agir. Essa abordagem busca o desenvolvimento do ser como um todo, não apenas intelectualmente, e tem como objetivo criar indivíduos livres mas plenamente responsáveis. Sendo assim, todas as atividades desenvolvidas na escola visam estimular sempre a autonomia e a independência
Além de fortalecer o aspecto emocional de cada criança, o método de ensino também valoriza a imaginação, os sentidos e a criatividade. integração do humano com a natureza. Por meio de trabalhos manuais, artísticos e colaborativos, o alunos tem uma relação intensa com a natureza.
AVALIAÇÃO
Na abordagem Waldorf, o professor atua como um facilitador do conhecimento e acompanha a turma de alunos desde a fase inicial até completarem 14 anos de idade. No primeiro setênio, as crianças aprendem por meio de jogos e brincadeiras. Portanto, o processo de alfabetização inicia-se a partir dos 7 anos.
Além das disciplinas obrigatórias do currículo nacional, os alunos também têm aulas de música, teatro, dança, artesanato e idiomas. A avaliação é feita de modo a englobar mais do apenas o conteúdo programático, compreendendo também habilidades sociais, virtudes, interesses e força de vontade.
DIFERENTES MÉTODOS DE ENSINO: A EDUCAÇÃO QUE TRANSFORMA E SE TRANSFORMA
Como vimos, existem difrentes métodos de ensino disponíveis. Em outras palavras, isso quer dizer que existem diversos caminhos e possibilidades para o desenvolvimento da educação das crianças. Reunimos aqui apenas alguns dos métodos de ensino utilizados pelas escolas e mesmo com abordagens diferentes, todos tem apenas um objetivo: promover uma formação de qualidade ao indivíduo.
A abordagem montessoriana se baseia na observação e compreensão da verdadeira natureza do indivíduo por meio de experiências sensoriais que serão úteis para a vida. Cozinhar, cuidar da natureza, compreender a importância do respeito ao próximo, organizar o ambiente da escola, aprender a se vestir e cuidar dos mais novos são algumas das habilidade trabalhadas pela escola montessoriana.
No que se refere à avaliação, ela pode ser feita por meio de registros do professor, monografia ou provas.
Pode ser uma imagem de criança e trampolim

domingo, 12 de março de 2023

Dr. Clay Brites

 

Foi com profundo pesar que recebi a notícia do falecimento Dr. Clay Brites,  por quem nutria uma considerável admiração. Na hora do adeus quero homenagear um homem que foi um profissional exemplar, mas …

O que dizer do Dr. Clay Brites, faltam palavras, elogios, aplausos o importante foram os recebidos em vida, meu eterno agradecimento a essa linda família Brites, meu melhor abraço para esposa Luciana Brites e meus sinceros sentimentos e minha eterna Gratidão pelos ensinamentos que obtive com vocês.

Minha história com essa família começou logo após minha formação em Psicopedagogia, onde meu Trabalho final de curso foi sobre o tema Transtorno do Espectro  Autista e naquela época sabia-se pouco sobre o assunto, mas por ser um assunto que eu não havia aprendido na faculdade e não sabia muito, fui desbravadora e fui a fundo pesquisar, me recordo que na época minha orientadora ainda salientou que não haviam muitos livros e que seria um tema desafiador, mas eu me desafiei e mandei ver.

A primeira vez que conheci algo sobre Autismo foi numa novela, assim iniciou meu interesse em saber mais, daí em diante pesquisei muito sobre, já formada e pós graduada, descobri na internet o Instituto NeuroSaber com Dr. Clay Brites e Luciana Brites.

Aprendi muito sobre Transtorno do Espectro Autista e outros transtornos e síndromes, tive a oportunidade de Entrevista Dr. Clay Brites e ter uma matéria que eu escrevi corrigida por ele.

Meu carinho, amor e gratidão por essa família é algo genuíno, um sentimento de gratidão eterna.

Quando eu acompanhava os aprendizados deles, era tudo muito novo, me recordo que Dr. Clay Brites não tinha muitas habilidades com câmera, Luciana Brites o ajudava era tudo bem caseiro, mas riquíssimo de conhecimento e era o que eu buscava e precisava, sem muitas tecnologias, quero dizer. Quero explanar aqui que eu acompanhei o crescimento deste casal com NeuroSaber desde o início e hoje o site é um sucesso e com toda tecnologia.

Esta triste noticia do falecimento do Dr. Clay Brites me abalou muito....

Tudo que este mestre me ensinou está guardado; ficará para sempre guardado em mim. O meu querido mestre..

Um grande homem, uma pessoa maravilhosa e um profissional sem igual, assim era Dr. Clay Brites, que, entretanto nos deixou. Até sempre e que descanse em paz.

Conosco deixa muitos ensinamentos, grandes e lindas lições de vida.

Mas também eterna saudade.

Para sempre será recordado com carinho, respeito e admiração.



 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Wakanda Forever !

Longa Vida do Rei
Wakanda forver! Wakanda para sempre!

by Psicopedagoga Ericka Vanessa



Venho discorrer sobre o Filme Pantera Negra que conseguiu romper paradigmas, quebrar barreiras é em minha opinião é um divisor de águas
O Filme não é e nem foi apenas mais um filme de super-heróis, ele trouxe consigo um belo exemplo de representatividade!

Venho discorrer sobre o Filme Pantera Negra que conseguiu romper paradigmas, quebrar barreiras é em minha opinião é um divisor de águas
O Filme não é e nem foi apenas mais um filme de super-heróis, ele trouxe consigo um belo exemplo de representatividade!

O Filme discute temas importantes que em geral ficam reclusos a debates entre os afetados e negligenciados pela sociedade, como o racismo estrutura velado, a emancipação feminina e a ajuda ao outro. Este filme não foi apenas mais um filme de super-heróis, o filme trouxe consigo um belo exemplo de respeito de humanidade, de amor. O cinema despertou discussões e não ficou congelado no tempo e, como visto antes sempre esteve intrinsecamente vinculado com o cenário da sociedade. As produções cinematográficas expõem a materialização humana, contendo como produto final a materialização e representação de culturas históricas advindas projetadas por um super-herói que se tornou um ícone mundial. As crianças e muitos adultos no mundo todos se curvam de joelhos ao herói e emanam Wakanda Forever! Como Psicopedagoga venho apresentar uma forma didática de se trabalhar em sala de aula futuramente com os alunos este Filme a Pantera Negra, acho que é um prato cheio para os professores futuramente, digo quando as aulas retornarem, que possam vir através deste filme aplicar a Lei 10.639 ( Sobre a obrigatoriedade de trabalhar a História e a Cultura Brasileira nas escolas), possam vir a desenvolver Projetos Pedagógicos, rodas de debate, onde poderão expor seus pontos, que os professores possam ter a oportunidade de reproduzir o filme na sala de aula, talvez com um retroprojetor que nem sei se todas as escolas dispõe de alguma forma de tecnologia. Mas podem ser trabalhadas dinâmicas, atividades, também trabalhar com os alunos nas aulas de informática, óbvio salvo as escolas que tem computadores ou notebooks para uso dos mesmos, podem montar história em HQ, podem usar World para criação e produção de texto, Word pad para criação de desenhos, caso tenham acesso a internet desenvolver pesquisas, os trabalhos devem acompanhar claro grau de escolaridade do aluno. Podem ser abordados Temas como Escravidão, Colonialismo na África, a rica cultura do continente, os assuntos a serem trabalhados são diversos podendo até despertar nas crianças lei Áurea, Princesa Isabel entre outros. Hoje o mundo respira uma corrente do bem pela luta igualitária, as crianças não tem discriminação de etnia, raça ou cor, são seres puros, não tem maldade alguma, muitas vezes a influência vem das pessoas preconceituosas. Que nossas crianças saibam desde muito cedo que somos uma miscigenação de raça e cor e que em nosso país tudo se início com os índios e escravos e que nosso país é assim e devemos respeitar a todos que nele vive!


domingo, 5 de abril de 2020


A Equipe Multidisciplinar para cuidados de Pessoas com Síndromes e Transtornos deve ser composta por: a pessoa a ser atendida, precisa de uma equipe multidisciplinar com abordagem clínica, pedagógica, psicopedagógica, como  psiquiatra ou neurologista infantil, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico em alguns casos.


Psicopedagoga Ericka Vanessa




Autismo: A Importância da Intervenção Multidisciplinar

Nestes 3 anos da coluna sobre a Intervenção Comportamental com Autismo, tenho falado sobre várias estratégias, intervenções, procedimentos e técnicas que o analista do comportamento utiliza nas diversas áreas do desenvolvimento infantil, visando estimular a aquisição de novas habilidades e a minimização de comportamentos inadequados e improdutivos socialmente com essas crianças. Como tem sido citado em cada artigo, obviamente, este trabalho não é feito apenas pelo psicólogo analista do comportamento, a intervenção com autismo depende completamente de uma atuação multidisciplinar.
A parceria entre diversos profissionais (alguns essenciais e, outros, opcionais e escolhidos por cada família) é a base da intervenção. Sem essa parceria, dificilmente as metas serão atingidas, afinal, sabemos que um procedimento aplicado somente em um contexto e por algumas pessoas que lidam com a criança não mudará o comportamento alvo de vez, pode mudar apenas no contexto e frente às pessoas que aplicaram o procedimento, o que não resolve o problema.
Um profissional essencial para o início da intervenção em casos de TEA (Transtornos do Espectro do Autismo) é o médico (psiquiatra ou neurologista) que é quem faz o diagnóstico e, no decorrer da intervenção, receita medicações para alguns sintomas, como: agitação, déficit de atenção, estereotipias, auto lesões, agressividade, problemas de sono, ansiedade, irritabilidade, apatia, etc. Em alguns momentos e, para alguns casos, a medicação é fundamental para que um determinado sintoma seja controlado e amenizado e, só assim, a estratégia comportamental possa ser efetiva. Cabe ao médico avaliar tais sintomas, decidir qual é a medicação adequada e, então, acompanhar a reação do organismo da criança às medicações usadas por meio de exames periódicos e mudanças nas dosagens à medida que a criança cresce e o quadro mude.
Em nossa experiência, tem sido muito rica a parceria com alguns médicos de clientes nossos, que fazem questão de acompanhar de perto a intervenção comportamental, lendo as pautas das consultorias que fazemos com as famílias e equipes e mantendo reuniões periódicas conosco para discutir cada meta da intervenção. Estes médicos parceiros costumam tomar decisões sobre tipos e dosagens de medicações com base não apenas em suas observações e relatos dos pais, mas também nos dados da terapia ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicada), no desempenho escolar e nas demais terapias.
Logo no início da intervenção, o analista do comportamento precisa, junto com a família, selecionar os aplicadores da intervenção ABA, ou seja, profissionais ou estudantes da área da saúde ou educação ou, ainda, para-profissionais (cuidadores ou familiares) que aplicarão os procedimentos orientados pelo Analista do Comportamento na terapia individualizada (procedimentos para aquisição de novas habilidades e controle de comportamentos inadequados) e na escola (procedimentos para maior aproveitamento da criança nas propostas escolares e mediação na interação social). Estes aplicadores são diretamente treinados e orientados pelo analista do comportamento que avalia a criança e planeja a intervenção. Em alguns casos a mesma pessoa faz a aplicação das estratégias comportamentais na terapia individualizada e na escola, em outros casos são dois aplicadores.
Os pais e cuidadores também são essenciais na intervenção, afinal, são eles que aplicarão os procedimentos de maximização de comportamentos adequados e minimização de comportamentos inadequados no dia-a-dia da criança. Por isso, é fundamental que o analista do comportamento tenha um bom vínculo e uma boa parceria com estas pessoas e esteja sempre orientando-os sobre como lidar com a criança nas atividades cotidianas e nos momentos livres, visando autonomia, comunicação, interação social e novos aprendizados.
Outra parceria fundamental na intervenção com autismo é com o fonoaudiólogo. Tendo em vista que um dos principais déficits do autismo está no desenvolvimento da linguagem, a presença de um fonoaudiólogo na equipe de intervenção é indispensável. Na maior parte dos casos a família já tem o acompanhamento do fonoaudiólogo quando procura acompanhamento conosco, afinal, esta intervenção é uma das primeiras a ser iniciada logo que a criança começa a demonstrar atraso na fala. É o fonoaudiólogo que avalia e decide por quais fonemas iniciar o treino vocal e orienta a todos na equipe que estratégias utilizar no dia-a-dia para estimular a emissão destes fonemas.
Uma das intervenções do fonoaudiólogo que, na minha opinião, está entre as mais importantes nos casos de TEA é a estimulação da musculatura da face e, principalmente, da boca. Devido ao atraso ou não surgimento da fala, as crianças com autismo movimentam e treinam menos os músculos da face e da boca do que as crianças com desenvolvimento típico. Em alguns casos, a restrição alimentar comum neste diagnóstico ainda faz com que a criança mantenha uma alimentação pastosa por muito mais tempo do que deveria e, então, além de não movimentar a boca falando, também não movimenta mastigando. Por isso, não é raro observar hipotonia e outros problemas de musculatura da face nestas crianças. Assim, é fundamental que o fonoaudiólogo treine esta musculatura e estimule sua movimentação para aumento da tonicidade e, então, facilitação dos movimentos orais necessários para falar. Em nossa experiência de parcerias com fonoaudiólogos, temos visto este trabalho sendo feito por meio de massagens dentro e fora da boca; utilização de massageadores bucais que vibram; apresentação de diferentes sensações nas bochechas e lábios (quente, frio, mole, duro, etc.); treino dos diversos movimentos orais (abrir a boca, bico, língua para fora, etc.); treino do soprar, sugar e mastigar; etc.
Outra parceria fundamental na intervenção com autismo é com o terapeuta ocupacional. As crianças diagnosticadas com TEA apresentam uma importante alteração sensorial, ou seja, recebem e decodificam os estímulos sensoriais (táteis, auditivos, visuais, sonoros e olfativos) de forma diferente. Por isso, elas podem reagir de forma exagerada ou diminuída a algumas estimulações sensoriais. Essa característica é uma das causas das estereotipias que compõem o quadro do autismo (ver detalhes sobre este tema no artigo “Autismo: A alteração sensorial e as estereotipias” publicado nesta coluna no dia 25 de agosto de 2014.).
É o terapeuta ocupacional que poderá avaliar detalhadamente quais alterações sensoriais a criança possui e, com base nessa avaliação, aplicará procedimentos de Integração Sensorial em suas sessões e, principalmente, orientará familiares, cuidadores e demais membros da equipe sobre como garantir um controle sensorial da criança no dia-a-dia, visando minimizar as estereotipias e, com isso, aumentar a atenção, a concentração e o aprendizado.
O terapeuta ocupacional também tem um importante papel no treino das habilidades de coordenação motora fina que podem estar prejudicadas em algumas crianças com TEA. A autonomia nas atividades de vida diária (AVDs) também merece a atenção e intervenção do terapeuta ocupacional que, se necessário, orienta adaptações e tecnologia assistiva para que a criança tenha mais condições de se tornar independente nessas atividades. Por isso, a atuação do T.O. não se resume apenas às sessões de terapia ocupacional, mas principalmente às orientações e treinamentos para familiares e cuidadores.
Também é fundamental na intervenção com autismo a parceria com pedagogos, tanto os profissionais da escola, quanto psicopedagogos particulares. O olhar pedagógico é indispensável no processo de inclusão escolar, afinal é o pedagogo que fará as adaptações curriculares e de materiais necessárias para que a criança possa ser inserida em uma classe de ensino regular. Avaliando o ritmo de aprendizado da criança o pedagogo pode decidir que conteúdos apresentar em cada momento e em qual velocidade. Compreendendo como a criança aprende (por via visual, auditiva, com material concreto, etc.) o pedagogo orienta professores, auxiliares e ATs (acompanhantes terapêuticos) sobre como apresentar as atividades para a criança com autismo.
Além das avaliações e decisões referentes à inclusão escolar, o pedagogo também contribui muito para a escolha de atividades, programas e estímulos a serem trabalhados na terapia individualizada em casa. Afinal, é importante que os programas de terapia ABA acompanhem o conteúdo escolar, preparando a criança para participar cada vez mais das atividades acadêmicas.
O educador físico também não pode faltar na equipe de intervenção de uma criança com TEA. Afinal, os esportes de quadra, natação, ginástica olímpica, etc., contribuem muito para o desenvolvimento das habilidades de coordenação motora ampla, que podem estar prejudicadas nessas crianças (ver detalhes sobre este tema no artigo “Autismo: O treino de habilidades motoras amplas e a importância dos esportes” publicado nesta coluna no dia 09 de março de 2015.).
Outro grande benefício das atividades físicas é o controle das estereotipias, afinal, os esportes geram sensações físicas prazerosas que se assemelham àquelas produzidas pelas estereotipias e, com isso, a criança tende a buscar menos os comportamentos repetitivos e disfuncionais para se auto estimular, já que ela vem obtendo a saciação dessas necessidades sensoriais por meio dos esportes. Assim, substituímos comportamentos repetitivos, disfuncionais e solitários (estereotipias), por atividades lúdicas, funcionais e sociais (esportes).
Em alguns casos, é necessário começar com atividades físicas individualizadas para, depois que a criança adquirir alguns pré-requisitos, inseri-la em atividades físicas coletivas. Mas a meta final tem que ser os esportes coletivos que, além de proporcionar todos os benefícios da atividade física, vão garantir o desenvolvimento de habilidades sociais, área muito afetada no autismo.
Além dos profissionais citados acima que, na nossa experiência, tem se mostrado essenciais para a intervenção com TEA, algumas famílias buscam outras intervenções que também podem ser muito benéficas, a depender de cada caso. Por exemplo, aula de música ou musicoterapia. Muitas crianças começam nesta atividade apenas pelo lúdico e pela estimulação de mais uma via de aprendizagem importante, a auditiva, já que em casos de autismo normalmente a aprendizagem via visual é mais fácil. Algumas crianças, porém, acabam gostando muito e tendo mais facilidade para algum instrumento e seguem estudando mais a fundo este instrumento, o que pode até virar uma profissão no futuro.
A equoterapia (terapia com cavalos) também tem sido muito procurada por famílias de crianças com autismo. A interação com o cavalo, seja ao montar ou ao alimentá-lo, estimula o fortalecimento de habilidades sociais e do vínculo afetivo. Esta atividade também proporciona um contato único com a natureza e estimulações sensoriais muitos novas e raras para crianças da cidade grande, como: pisar na areia, acariciar o pelo do cavalo, dar comida na boca do cavalo, etc. Estas experiências sensoriais novas ajudam a dessensibilizar algumas aversões sensoriais. Os equoterapeutas costumam, ainda, estimular a comunicação da criança tanto com o cavalo, fazendo sons e movimentos corporais que dizem o que o cavalo deve fazer; quanto com os próprios terapeutas, pedindo para montar, descer do cavalo, trotar, etc.
Algumas famílias também são acompanhadas por um nutricionista ou médico que avalia como o organismo da criança reage a determinados alimentos, se existe alguma alergia ou intolerância ou, ainda, algum alimento que gere aumento de agitação, irritabilidade ou estereotipias. Nestes casos, o médico ou nutricionista orienta uma dieta específica, por exemplo, sem glúten, sem caseína, sem lactose, etc.
Em alguns casos fazemos parceria até com o dentista. Quando a criança resiste a frequentar as consultas com o dentista ou não aceita qualquer manipulação na boca, podemos combinar com este profissional um procedimento de aproximações sucessivas, no qual a criança passa a ir ao consultório com mais frequência e, lá, sempre tem acesso a coisas que gosta, como: um DVD preferido, brinquedos ou atividades motivadoras, alimentos que adora, etc. Em outros casos, o dentista orienta o uso de um aparelho ou placa para conter o ranger dos dentes, por exemplo, e o analista do comportamento precisa orientar estratégias de como conseguir que a criança aceite usar o aparelho pelo tempo determinado. Fazemos isso via pareamento de estímulos, ou seja, associando o uso do aparelho com atividades ou estímulos muito motivadores.
Enfim, muitos outros profissionais podem acabar fazendo parte desta equipe de intervenção em algum momento, a depender das necessidades de cada caso. O importante é que esta equipe seja parceira, mantenha contato frequente e atue de forma coesa em direção a uma meta comum: o desenvolvimento e a melhora na qualidade de vida da criança com TEA e sua família.

Dicas simples para vivenciar esses dias de Isolamento Social como nossas crianças mais que especiais

by Ericka Vanessa 

Como Psicopedagoga venho por meio deste post contribuir com um pouquinho de meus conhecimentos para auxiliar você que precisa neste momento de Pandemia com as nossas crianças especiais, em casa.
A você que cuida, mãe, pai ou responsável faça o possível para não falar na frente das crianças sobre o Covid-19, e demais assuntos degradantes do momento, caso não tenha como, tente abordar o vírus de forma lúdica.
Utilize sempre a verdade para com as crianças, mas de forma singela, sempre com muito amor e muita discrição.
Quem sabe explicar que é um bichinho muito pequenino que entra no nosso corpo e deixa a gente doente e devido a isso devemos nos cuidar.
Porque relatei isso pois neste momento não podemos subestimar a inteligência de nossos pequeninhos, devemos evitar que colocam coisas na boca, pois não sabemos pode ser uma forma de contaminação, se possível limpe bem antes do uso todos os brinquedos com álcool gel.
Não obrige as crianças a usar máscara ou luva, a higiene é a melhor solução.
Tentar manter sempre a calma, evite o pânico, incentive os cuidados básicos sempre, invista na higienização, talvez possa ajudar de forma lúdica, cantando músicas infantis já que temos várias canções, até o Personagem Cascão faz parte do alerta sobre a importância da higiene durante pandemia.
Não quebre a rotina diária das crianças, crie um calendário diário, faça o possível para manter a rotina das crianças, as quais já exerciam, os horários de aula, podem estudar em casa.
Tentem aproveitar esse Isolamento Social em família, se possível for com atividades com todos juntos, assim podem participar e interagir juntos.
Invente brincadeiras, crie novas diversões,o ato de
brincar alívia angústias.
Não permita que nossa crianças passem muito tempo na internet, dependo do grau de inteligência elas podem visualizar ou ler textos e matérias inadequadas, vistorie e controle sempre.
Uma dica pode ser brinquedos educativos montar um quebra-cabeças, montar lego, desmonte o lego e recrie novamente, incentivar a leitura, musicoterapia.
Outra dica para trabalhar a musicoterapia, já realizei vários trabalhos desta forma lúdica, coloque uma música que fale de figuras, animais, e se possível, no computador ou notebook use o Aplicativo do Office,o Paint Brush e peça a criança para desenhar o que ela ouve na música.
Crie desenhos no Paint, de acordo com a idade, por exemplo, vamos desenhar os Animais Vertebrados ou Invertebrados, Os Mamíferos, Os animais que nadam, Os Pássaros, enfim, crie, recrie e ocupe o tempo dos nossos amores.
Não eixe que passem muito tempo assitindo desenhos, interaja outras recreações.
Respire fundo nos momentos dificeis e busque forças em você mesma, neste momento não devemos esoerar muito de ninguém.
Vamos vencer!
Um beijo no seu coração!
Espero ter contrubuído com algo prá vc !





quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Portadores de transtorno do espectro do autismo têm direito a tratamento multidisciplinar custeado pelos planos de saúde

Ana Paula Carvalho
O Transtorno do Espectro Autista envolve diversas patologias que prejudicam o desenvolvimento neurológico e apresenta três características: dificuldade de socialização, de comunicação e comportamentos repetitivos.
O dia 02 de abril foi instituído como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Esta síndrome é representada por uma fita contendo peças de quebra-cabeça e com predominância da cor azul. A fita de conscientização representa o ato de informar as pessoas sobre o autismo e como lidar com ele; o quebra-cabeça significa a complexidade do autismo e a cor azul indica sua maior incidência no sexo masculino.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve diversas patologias que prejudicam o desenvolvimento neurológico e apresentam três características: dificuldade de socialização, de comunicação e comportamentos repetitivos. Essas síndromes apresentam escalas de severidade e de prejuízos diversas.
Dentre tais transtornos, o autismo é o que acomete mais os meninos e caracteriza-se, especialmente, pela inabilidade na interação social, como dificuldade em fazer amigos, em expressar emoções, podendo não responder a contato visual ou evita-lo; dificuldade de comunicação eficiente e comprometimento da compreensão, além de prejuízos comportamentais, como movimentos repetitivos e diversas manias.
Os primeiros sinais do autismo geralmente são observados pelo pediatra, que acompanha o desenvolvimento motor e cognitivo da criança. Após tal identificação, os pais são orientados a procurar um médico da área psiquiátrica ou neurológica para fazerem o diagnóstico. A partir daí, estes profissionais prescrevem tratamentos que abrangem especialistas que trabalham em conjunto e com avaliações periódicas da criança e por um longo período.
Os profissionais que habitualmente fazem parte dessa equipe multidisciplinar são o psiquiatra ou neurologista infantil, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional.
A comunidade médica esclarece que o portador de autismo sofre de um distúrbio incurável, mas especialmente naqueles com grau leve, os sintomas podem ser substancialmente reduzidos caso recebam o tratamento adequado o mais cedo possível, proporcionando-lhe condições de conduzir a vida de forma mais próxima da normalidade.
lei 9.656/98, que dispõe sobre planos e seguros saúde, determina cobertura obrigatória para as doenças listadas na CID 10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde, que trata-se de uma relação de enfermidades catalogadas e padronizadas pela Organização Mundial de Saúde.
A CID 10, no capítulo V, prevê todos os tipos de Transtornos do Desenvolvimento Psicológico. Um destes é o Transtorno Global do Desenvolvimento, do qual o autismo é um subtipo.
Da mesma forma, a lei 12.764/12, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, prevê em seus artigos 2°, III e 3°, III, “b” a obrigatoriedade do fornecimento de atendimento multiprofissional ao paciente diagnosticado com autismo.
Vale ainda mencionar os artigos 15 e 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que garantem o direito ao respeito da dignidade da criança, bem como a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral.
Fica claro, assim, que a legislação atual garante cobertura a diversos transtornos do desenvolvimento, inclusive ao autismo, e ao tratamento que o beneficiário do plano de saúde necessita, quais sejam, as sessões multidisciplinares de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, dentre outras.
No entanto, as operadoras e seguradoras de saúde limitam o acesso do beneficiário a apenas algumas sessões multidisciplinares anuais. Ocorre que, referido tratamento, demanda longo período de acompanhamento do paciente, sendo insuficiente a cobertura de apenas algumas sessões.
O argumento utilizado pelas empresas de planos de saúde para tal restrição está no Rol da ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar, que determina a cobertura a poucas sessões de terapias.
Ocorre que, conforme entendimento do Poder Judiciário, esse Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde não se trata de uma listagem taxativa, mas sim da cobertura mínima obrigatória que deve ser prestada pelos planos privados de assistência à saúde.
Desta forma, tal argumento de seguir o que consta no referido rol da ANS não prevalece, eis que uma listagem emitida por órgão regulador não pode se sobrepor à lei 9.656/98, ou seja, não pode limitar o que a lei não restringiu.
Não se olvide, ainda, que o médico é o responsável pela orientação terapêutica ao paciente, de forma que se a enfermidade necessita de tratamento prolongado e o profissional assistente não limitou a quantidade de terapias, não pode o plano de saúde pretender limitá-las.
Nesse sentido, vale ressaltar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:
"Ao prosseguir nesse raciocínio, conclui-se que somente ao médico que acompanha o caso é dado estabelecer qual o tratamento adequado para alcançar a cura ou amenizar os efeitos da enfermidade que acometeu o paciente. A seguradora não está habilitada, tampouco autorizada a limitar as alternativas possíveis para o restabelecimento da saúde do segurado, sob pena de colocar em risco a vida do consumidor. Ora, a empresa não pode substituir-se aos médicos na opção terapêutica se a patologia está prevista no contrato.
(...)
Ao propor um seguro-saúde, a empresa privada está substituindo o Estado e assumindo perante o segurado as garantias previstas no texto constitucional. O argumento utilizado para atrair um maior número de segurados a aderirem ao contrato é o de que o sistema privado suprirá as falhas do sistema público, assegurando-lhes contra riscos e tutelando sua saúde de uma forma que o Estado não é capaz de cumprir. (REsp nº 1.053.810/SP – 3ª Turma – Relatora Ministra Nancy Andrighi, j. 17/12/2009)"
Importante mencionar, ainda, por analogia, a súmula 302 do Superior Tribunal de Justiça, que assim determina: "É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado"
Ora, se nem mesmo os dias de internação podem ser limitados, o que gera muito mais despesas para as operadoras e seguradoras de planos de saúde, não há razão alguma para se limitar sessões relacionadas ao tratamento multidisciplinar do paciente autista.
Necessário ressaltar que essa postura abusiva das empresas de planos de saúde tem sido repelida pelo Poder Judiciário, que tem deliberado em favor dos pacientes, a fim de obterem o tratamento médico adequado, sem limitação na quantidade de terapias necessárias.
Vale destacar, ainda, que muitos profissionais indicam tratamento do autismo com o método A.B.A. (Applied Behavior Analysis, na sigla em inglês), ou seja, Análise do Comportamento Aplicada, em que o terapeuta analisa o comportamento verbal e não-verbal do paciente para aplicar os princípios desta técnica, a fim de auxiliar a criança a desenvolver habilidades sociais, de comunicação, dentre outras.
E aqui o consumidor se depara com outro problema, eis que nem todo convênio médico dispõe de profissional que atenda com referido método.
Para guiar casos como este, a Agência Nacional de Saúde – ANS, editou a Resolução Normativa nº 259 que regula a obrigatoriedade de cobertura do procedimento fora da rede credenciada:
"Art. 4º Na hipótese de indisponibilidade de prestador integrante da rede assistencial que ofereça o serviço ou procedimento demandado, no município pertencente à área geográfica de abrangência e à área de atuação do produto, a operadora deverá garantir o atendimento em:
I - prestador não integrante da rede assistencial no mesmo município; ou
II - prestador integrante ou não da rede assistencial nos municípios limítrofes a este.
§ 1º No caso de atendimento por prestador não integrante da rede assistencial, o pagamento do serviço ou procedimento será realizado pela operadora ao prestador do serviço ou do procedimento, mediante acordo entre as partes."
Observa-se, assim, que inexistindo na rede credenciada um profissional habilitado a tratar determinada enfermidade, como neste caso da terapia A.B.A., o beneficiário pode buscar a respectiva assistência fora da rede, devendo a seguradora efetuar a devida cobertura mediante reembolso do valor gasto.
Portanto, qualquer restrição que se faça ao tratamento multidisciplinar necessitado pelo portador de transtorno do espectro do autismo se mostra abusiva, pois contraria a legislação vigente.
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*Ana Paula Carvalho é advogada no escritório Ana Paula Carvalho Advocacia.